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» O Tesouro do Mar Catarinense - 22/09/07
O Tesouro do Mar Catarinense
Alcides Dutra

Existem locais no planeta com uma identidade ambiental, um conjunto de atributos que, combinados, resultam num ambiente único. É o que ocorre na costa catarinense.

 

Desde o norte/nordeste, a costa brasileira é formada por uma sucessão de praias arenosas ou lodosas, separadas por falésias ou costões rochosos. Este quadro vai se estendendo até chegar ao litoral catarinense. De Laguna para o sul a costa brasileira é formada por praticamente duas praias: uma menor que vai até Torres e outra maior, com mais de 200 quilômetros de comprimento, que passa pela foz da Lagoa dos Patos no RGS e vai até o Uruguai.

 

Enquanto isso, águas junto as costa africana deslocam-se em direção a América do sul, atravessando o oceano pelo equador. Neste longo caminho, a matéria orgânica flocula em contato com as maiores concentrações de sais do alto mar. O calor da região equatorial aquece a água e quando ela passa próximo ao arquipélago de Fernando de Noronha está cristalina e pobre em nutrientes. Uma parte desta corrente deriva para o norte e vai contribuir para formar o mar do Caribe, enquanto que outra parte segue para o sul constituindo a corrente do Brasil. Esta água quente e cristalina desce pela costa brasileira rumo ao sul.

 

Ao mesmo tempo, próximo da região antártica, uma corrente de águas frias segue para o norte, em direção à costa brasileira. Ela atravessa áreas onde ocorrem colônias de pingüins e lobos marinhos.

 

No inverno a força desta corrente é maior e pode arrastar e desorientar filhotes. É conhecida por corrente das Malvinas, por nascer próximo ao arquipélago de mesmo nome.

 

Por varrer camadas próximas ao fundo do oceano, esta corrente transporta muitos nutrientes.

 

Então temos um quadro em que duas correntes oceânicas fluem para a mesma região: a costa brasileira.

 

Mas como uma é quente e a outra muito fria, ocorre um fenômeno muito conhecido, relacionado com a densidade da água: a água quente é menos densa e flutua sobre água fria e, da confluência destes dois gigantes forma-se uma imensa área, influenciada por elas.

 

Fenômenos oceanográficos resultam no afloramento superficial de porções de águas frias, ricas em nutrientes. Da combinação dos nutrientes da corrente das malvinas com a maior insolação e diversidade biológica próximo aos trópicos, resulta a formação de áreas muito ricas em vida.

 

Por outro lado, considerando a média anual das temperaturas, temos uma isoterma de 20 graus centígrados cruzando o nosso estado. Isso representa muito no que se refere à distribuição dos seres vivos, tanto na água como fora dela. Muitas criaturas se adaptaram em ambientes mais frios que esta média anual de temperatura, enquanto outros preferem viver em locais mais quentes. Mas nesta fronteira são encontrados representantes de ambos os tipos, resultado numa biodiversidade aumentada e numa sensibilidade proporcional. 

 

Possivelmente pela interação destas características, o ambiente marinho na região da Ilha de Santa Catarina e vizinhanças é muito dinâmico e instável, não só pela presença de uma variedade muito grande de fauna, mas também por uma sucessão imprevisível de comunidades de seres que vivem associados ao fundo do mar.

 

Nos anos em que a influencia tropical é maior, a ocorrência de grandes esponjas é comum nas rochas das ilhas, porém em épocas de maior influência das águas do austro, acontece uma diminuição das comunidades tropicais e as rochas ficam menos coloridas. 

 

Às vezes é possível mergulhar numa ilha e cruzar com coloridos peixes tropicais, pingüins austrais e lobos marinhos no mesmo local. E não nos surpreendamos se no caminho também encontrarmos alguma baleia franca. Trata-se de uma associação quase que improvável no resto do planeta, mas que pode ocorrer por aqui.

 

Com relação à diversidade de mamíferos marinhos, esta é uma das regiões mais privilegiadas. Muitas espécies de golfinhos, orcas e baleias são avistadas em nossa costa. Há grupos residentes de golfinhos vivendo em pelo menos dois locais mais importantes: Laguna e Governador Celso Ramos. Laguna é o lar de uma colônia de Tursiops truncatus (mesma espécie do Fliper) e a Baia dos golfinhos em Governado Celso Ramos é o lar de um grupo de Sotalia fluviatilis (Boto tucuxi). 

 

A Ilha de SC fica no centro deste sistema e constitui o núcleo de pequenas ilhas satélites que expressam identidades próprias. Há ilhas escolhidas pelas aves marinhas como local de reprodução: A ilha dos Cardos é anualmente usada por bandos de trinta-reis (Sterna), A ilha Moleques do Sul é o lar de fragatas (Fregata magnificens). É também o limite austral de reprodução do atobá (Sula leucogaster).

 

A ilha do Arvoredo é o limite austral de ocorrência de muitas espécies tropicais, como zoantídeos, crinóides, Balistes e tantos outros.

 

Apresenta um banco de algas calcárias que se estende por quilômetros, formando estruturas globosas ocas no meio, onde os peixes jovens de protegem. 

 

A Ilha Deserta alem de também ser usada como maternidade pelas aves marinhas é um dos poucos locais do mundo onde se registra o ouriço gigante Astropyga magnifica, com cerca de 40 cm de diâmetro.

 

As ilhas três imãs são usadas pelas arraias-violas como local de reprodução ou repouso. Também é o lar de grandes polvos.

 

A enseada do pântano do sul é um importante local de reprodução de lulas e o primeiro local onde se registrou uma desova de lulas no Brasil.

 

Na foz dos rios voltados para o norte e oeste (Ilha de Santa Catarina), ocorrem os s manguezais mais ao sul do atlântico. Considera-se que a ilha e vizinhanças, seja o limite austral de ocorrência de manguezais no atlântico sul ocidental. 

 

Por essas e por tantas outras razões, o ambiente costeiro da região da ilha de Santa Catarina é considerado extremamente diversificado e único no mundo. Cada lugarzinho tem uma identidade, diferente dos outros mesmo que próximos.

 

A origem geológica constituiu a base, mas foram os seres vivos que fizeram o grande trabalho.

 

Portanto, a grande riqueza da região foi construída pelos seres vivos e a sua manutenção depende deles. Se quisermos continuar a nos orgulhar da nossa costa, temos que preservar a vida que nela existe, porque sem a vida não há atrativos, sem atrativos não há mercado e sem mercado não há viabilidade para a sociedade que tentamos construir.

 

O ambiente é o produto da interação entre a sociedade e natureza, quando um deles destrói o outro, o resultado é sempre ruim. 

 

Por isso a importância do conhecimento para que possamos saber quando uma interferência pode levar à resultados desastrosos. Os recentes estudos divulgados pela Onu não deixam mais duvidas quanto a necessidade de se conservar a natureza e praticamente não há mais ninguém no planeta, com um mínimo de inteligência que duvide disso.

 

Ao ler o título desta matéria você certamente pensou em jóias ou moedas de ouro, mas como viu, estamos falando de riquezas muito mais valiosas. E neste ano em que o Larus comemora seus 25 anos, uma frase usada pela primeira vez um 1982 parece mais atual do que nunca: É preciso conhecer a natureza para defender a vida, porque ninguém preserva o que não conhece.

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Alcides Dutra
Biólogo da UFSC
Presidente do Instituto Larus
Nome: Vicente orlandini balconi
Data: 22/10/07 às 14:31
Local:
Nome: Clovis s. fujita
Data: 20/10/07 às 12:10
Local:
Nome: Tiago Cagneti
Data: 10/10/07 às 19:15
Local: Joinville/SC
Gostei muito do artigo, espero ver muito mais como este.
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