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»  - 05/03/13

“A Antártida é um continente em risco, sem dúvida”, afirmou em entrevista com a agência EFE o diretor do Instituto Antártico Chileno (INACH), José Retamales, um dos principais especialistas em nível mundial do “continente branco”.

A Antártida modera o clima do planeta; os furacões no Golfo do México ou a existência do deserto mais seco do mundo no norte do Chile têm a ver com o que acontece nesta parte do planeta cuja extensão (14 milhões de quilômetros quadrados) é equivalente à da América do Sul.

“Mas também chega à Antártica toda a poluição do resto do mundo”, adverte o responsável do INACH, para quem a principal ameaça para o “continente gelado” é o vertiginoso crescimento da população mundial, que triplicou nos últimos 60 anos.

“As temperaturas podem aumentar, e as secas também. Não quero ser alarmista, mas isso é algo que pode acontecer”, advertiu.

Retamales, 54 anos, dirige o INACH há quase 10 e, ao contrário de seus antecessores, que eram militares ou diplomatas, seu perfil é acadêmico e científico.

Engenheiro civil de profissão, José Retamales se formou em engenharia química na Inglaterra e foi reitor da Universidade de Magalhães (sul do Chile), além de ter feito parte do diretório de empresas petrolíferas e de energia nuclear.

Seu domínio dos idiomas (fala inglês, francês, alemão e espanhol) lhe permitiu intensificar os contatos com instituições científicas de todo o mundo.

Ciente de que o Chile sempre teve um olhar defensor da soberania da Antártica, mas também que “a ciência atualmente é muito competitiva no mundo todo”, Retamales se propôs abrir o INACH e transformá-lo em uma instituição na qual o ingresso é por mérito.

“O que pude fazer foi possível também porque o país agora tem mais recursos”, reconheceu o diretor do INACH, um órgão que depende do Ministério das Relações Exteriores e que até há poucos anos tinha sua sede em Santiago, a 2,2 mil quilômetros de Punta Arenas, a cidade onde agora tem sua base.

Graças ao crescimento econômico que o Chile vivenciou nos últimos anos, o orçamento desta instituição cresce anualmente cerca de 15%.

A proximidade geográfica do Chile com a Antártica contribui para que com esse orçamento seja possível desenvolver um programa científico ainda maior.

No passado, o Chile reivindicou a soberania territorial das ilhas Shetland do Sul, a península Antártica e a chamada Terra de O’Higgins, mas em 1959 aderiu ao Tratado Antártico (assinado atualmente por meio centena de países), que estabelece que o “continente branco” é patrimônio da humanidade.

Hoje em dia, o Chile optou por ter uma presença marítima maior que a de outros países no setor do continente onde mais incide a mudança climática, o que favorece os projetos de pesquisa.

“A Antártica também é política. Por isso, a China ou a Rússia estão disseminando bases por todo o continente, mas nós não podemos fazer isso”, explica Retamales, que acha que falta uma maior cooperação entre os 28 países que atualmente desenvolvem pesquisas científicas nesta parte do planeta.

“E embora na Antártica não haja muitos votos – acrescentou -, interessa aos governos mostrar que se preocupam, porque isso também atrai apoios”.

O diretor do INACH se diz convicto de que a Antártica pode ajudar a remediar a escassez enérgica no futuro.

“Da mesma maneira que o buraco na camada de ozônio mostrou que a humanidade pode danificar o planeta, o mesmo vai acontecer com a energia”, afirmou.

“Quais são os caminhos para remediá-lo? O mundo terá que buscar processos mais eficientes que funcionem com menos energia, a temperaturas mais baixas, e nisso a Antártica pode nos ajudar bastante”, disse.

Assim como os microorganismos antárticos são a solução para muitos dos problemas atuais, o modelo de desenvolvimento representa uma séria ameaça.

“Quanto tempo continuará a Antártica sem poluição? Não me atreveria a jurar que para sempre”, opinou Retamales.

Fonte: Terra

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