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»  - 21/10/13

Copo descartável, canudo, embalagens plásticas e muitos outros detritos estão nas praias de Alagoas. O lixo gerado pelo homem contrasta com a cor do mar, um dos mais bonito do país. Mas o problema não fica restrito ao visual das praias. Além de gerar desconforto para os banhistas, todo esse “material” vai para o oceano e atinge diretamente a fauna marinha.

As principais vítimas são as tartarugas, que confundem o plástico com águas vivas, principal alimento desses animais. De acordo com o Instituto Biota, única entidade que cuida de animais marinhos em Maceió, o número de tartarugas encalhadas na capital alagoana mais que triplicou em três anos. Foram quase 20 animais nos chamados atendidos pelo instituto em 2010. Cerca de 60 em 2011 e pelo menos 70 no ano seguinte. Desse montante, apenas 11 foram resgatadas com vida e somente quatro conseguiram ser reabilitadas e devolvidas ao mar.

Os dados de 2013 ainda não foram fechados, mas o Biota já catalogou 53 tartarugas encalhadas nas praias de Maceió, a maioria estava morta ou morreu dias depois.

Na última terça-feira (15), uma tartaruga verde foi encontrada por banhistas na Praia de Garça Torta, em Maceió. Eles contaram que a tartaruga tinha um plástico na boca. Os estudantes e voluntários do Biota abriram a tartaruga e constataram que ela havia ingerido plástico.

Enquanto o Biota fazia os procedimentos, a aposentada Clícia Leite, que veio a Maceió, para visitar a filha, fazia o seguinte questionamento: “Por que ela estão morrendo tanto? Em 15 dias eu encontrei cinco tartarugas mortas aqui na região”.

A reposta é simples. Segundo o biólogo Bruno Stefanis, do Instituto Biota, as duas principais causas de morte desses animais estão relacionadas à intervenção humana. A primeira é a intervenção com a pesca e a segunda por ingestão de resíduos.

A atuação dos voluntários se restringe a Maceió. O Biota depende de doações para manter o trabalho e faltam recursos para ampliar o atendimento a todo o litoral alagoano. O diretor do instituto, o biólogo Bruno Steffanis, diz que os locais onde mais encontraram tartarugas encalhadas foram nas praias de Jatiúca e Pajuçara, áreas urbanas de Maceió. Um problema que não está relacionado apenas à ingestão dos resíduos, mas também à desova. “Os animais comem mais plástico ao se aproximar da costa, onde está a maioria dos resíduos, e esse lixo também atrapalha na postura dos ovos e no nascimento das tartarugas”, diz.

Há 15 dias, outra morte de tartaruga chamou a atenção de biólogos e médicos veterinários. Uma tartaruga verde adulta, encontrada no Pontal da Barra, chegou a ser resgatada com vida pelo Biota, mas não resistiu. Durante a necropsia, foi descoberto que ela estava cheia de ovos e também com dois sacos plásticos enormes no estômago.

Mas não é só o plástico que é descartado irregularmente nas belas praias de Maceió. O personal trainer Rodrigo Piñeiro, que dá treino funcional entre as praias de Pajuçara e Ponta Verde, sabe bem disso. “Infelizmente os banhistas e comerciantes deixam muito lixo aqui. Encontro desde canudos e copos descartáveis até lâmina de barbear, camisinha usada e tijolo”, afirma.

A questão é que o lixo que vai para o mar não é só o deixado na praia. Tudo o que é jogado nas ruas da cidade, de alguma maneira, vai direto para rios, córregos, lagoas e, consequentemente, para o mar.

A mergulhadora e amante da natureza Flavia Scigliano Dabbur vive na Praia do Francês, um dos cartões postais de Alagoas. Ela faz caminhada diariamente na praia e conta que fica muito triste com o que encontra no caminho. “Todos os dias eu acho lixo doméstico que vem da Lagoa. São embalagens de detergente, de água sanitária, de óleo de carro, de iogurte e tantas outras coisas que fica até difícil descrever”, afirma.

Flavia é instrutora de mergulho há dez anos. Ela e a equipe costumam filmar o nado das tartarugas no fundo do mar. ”Já encontramos várias aqui no litoral, é a coisa mais linda. Os visitantes ficam encantados. Mas eles se surpreendem quando encontramos lixo como sacolas plásticas grudadas nos corais, além de vidros e latas que são os objetos que afundam”, lamenta.

A estudante de biologia e voluntária do Instituto Biota, Waltyane Bonfim, diz que tem vontade de andar com a foto de uma tartaruga morta para mostrar às pessoas que jogam lixo na rua. “Eu já pensei várias vezes em adotar essa medida para chocar a população. Eu vejo o tempo todo gente jogando de tudo nas ruas, pela janela do ônibus e do carro. Será que eles não sabem que isso prejudica os animais?”, desabafa a jovem de 23 anos.

A médica veterinária Luciana Medeiro, que também é voluntária do Instituto Biota, afirma que a maioria dos casos de tartarugas que morrem ou são encontradas mortas se dá por ingestão de lixo. “Não conseguimos avaliar todas, até porque muitas já são encontradas em estado avançado de decomposição”, diz.

Ela afirma ainda que um grupo de veterinários e biólogos está fazendo cursos de capacitação fora de Alagoas para identificar com mais precisão a causa mortis desses animais. “Com esses cursos, a gente tem como fazer um diagnóstico mais profundo e, assim, melhorar os dados estatísticos”, revela.

Mortes pelo mundo – Um estudo australiano publicado no periódico “Conservation Biology” no mês de setembro, revela que as tartarugas verde estão ingerindo cada vez mais detritos humanos, incluindo produtos de plástico que podem ser letais.

A pesquisa revisou toda a literatura científica sobre a ingestão de lixo humano no oceano por tartarugas marinhas desde 1985. A análise mostrou que há registro da ingestão de detritos em seis das sete espécies de tartarugas marinhas do mundo. Todas as seis são listadas como espécies vulneráveis ou em perigo.

“Descobrimos que, para as tartarugas verdes marinhas, a probabilidade de ingestão de detritos quase dobrou nos últimos 25 anos”, disse o pesquisador Qamar Schuyler, da Universidade de Queensland, que liderou o estudo.

A pesquisa analisou 37 estudos publicados de 1985 a 2012 que reportou informações coletadas desde 1900 até 2011. Resultados mostram que tartarugas em quase todas as regiões ingerem detritos, mais frequentemente o plástico. “Nossos resultados mostram claramente que a ingestão de detritos por tartarugas marinhas é um fenômeno global de magnitude crescente”, diz o estudo.

Fonte: G1

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