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» Escondidas nas ilhas - 25/03/08

Um inventário de serpentes realizado em 18 ilhas da costa paulista revelou a ocorrência de 13 novas espécies sem registro nas principais coleções herpetológicas do Brasil.


O estudo, cujos resultados foram publicados pela revista Biota Neotropica, revista do programa Biota-Fapesp, partiu dos registros nas coleções do Sudeste brasileiro e de coletas de campo, realizadas em 11 das ilhas. De acordo com os autores, os ecossistemas insulares são cada vez mais ameaçados pela ação humana.

Além de listar espécies de serpentes habitantes de ilhas paulistas ainda indisponíveis na literatura, o estudo buscou detectar e corrigir erros de nomenclatura nas coleções zoológicas.

“Procuramos ainda comparar a composição da fauna de serpentes entre as ilhas, incluir novos espécimes na coleção do Instituto Butantan e, principalmente, discutir medidas de conservação ambiental e proteção das espécies em risco de extinção”, disse Paulo José Pyles Cicchi, um dos autores da pesquisa, à Agência FAPESP.

A pesquisa, segundo o pesquisador do Laboratório de Herpetologia do Departamento de Zoologia do Instituto de Biocências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), chama atenção principalmente para a grande fragilidade dos ecossistemas insulares, ameaçados pela ação humana, seja pela ocupação desordenada, seja pela exploração econômica do turismo nessas ilhas.

Os 13 novos registros realizados dividem-se em sete ocorrências, na Ilha do Cardoso (Chironius bicarinatus, Chironius multiventris, Dipsas petersi, Echinanthera bilineata, Echinanthera cephalostriata, Helicops carinicaudus e Xenodon neuiwiedii), três novos registros em Ilha Comprida (Bothrops jararacussu, Chironius bicarinatus e Helicops carinicaudus), um registro de Spilotes pullatus na Ilha Anchieta, uma ocorrência de Liophis miliaris na Ilha das Couves e, finalmente, um registro de Bothrops jararaca na Ilha dos Porcos.

A pesquisa, conduzida com apoio do programa Biota-FAPESP, foi feita entre 2000 e 2005 e coordenada por pesquisadores da Unesp de Botucatu, da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp) e do Instituto Butantan.

Segundo Cicchi, 36 espécies das famílias Boidae, Colubridae, Elapidae e Viperidae foram registradas na coleta de campo. “As ocorrências inéditas nos registros demonstram a carência de estudos de inventário em ilhas e de levantamentos que permitam conhecer nossa biodiversidade e propor atitudes de conservação antes que espécies sejam perdidas”, explicou.

O trabalho de amostragem das espécies foi realizado a partir do levantamento bibliográfico da Coleção Herpetológica do Instituto Butantan, do Museu de Zoologia da USP, do Museu de Zoologia da Universidade Estadual de Campinas e do Museu Nacional do Rio de Janeiro.

Além de Cicchi, assinam o artigo Denise Peccinini-Sealem e Marco Aurélio de Sena, do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, e Marcelo Ribeiro Duarte, do Laboratório de Herpetologia do Instituto Butantan.

Métodos combinados - Para o levantamento de campo foram feitas cerca de 125 viagens às ilhas, com equipes que variavam de um a 13 coletores, utilizando uma combinação de métodos conhecidos como “abundância relativa” e “freqüência de espécies”, além da “busca ativa”, “procura visual limitada por tempo” e armadilhas de interceptação e queda, conhecidas como pitfall traps.

As categorias de “abundância relativa” foram aplicadas para definir a raridade das espécies, consideradas “comuns” quando ocorrem em mais de cinco ilhas, “pouco freqüentes” quando aparecem em quatro ilhas diferentes e “raras” quando são encontradas em três ou menos ilhas.

Comparada aos registros da literatura disponível e combinada aos outros métodos, a “abundância relativa” detectou 44,4% de espécimes considerados raros, 25% tidos como pouco freqüentes e 30,6% considerados comuns.

As serpentes mais freqüentes foram as Micrurus corallinus, presentes em 12 das 18 ilhas estudadas, seguidas das Bothrops jararaca e Liophis miliaris, em 11 ilhas, e das Bothrops jararacussu e Chironius bicarinatus, em 10 ilhas.

De acordo com os autores do trabalho, o método permite a visualização em porcentagens das espécies dominantes e raras em cada região. Entretanto, sua utilização adequada depende de uma padronização das metodologias de levantamento de espécies.

“A grande maioria dos métodos de levantamentos é específica para algumas espécies, como as armadilhas de interceptação e queda que permitem a coleta quase que exclusiva de serpentes de hábitos terrestres, não sendo satisfatória para coleta de animais arborícolas”, disse Cicchi.

“Caso a abundância relativa seja feita com dados exclusivos desse método, poderá demonstrar resultados pouco legítimos sobre a diversidade na região. Por isso, o interessante para um bom trabalho de levantamento de espécies é utilizar metodologias diferentes para obter dados mais confiáveis”, completou.

Para o pesquisador, o estudo indica a necessidade de associação de esforços e uma efetiva intervenção política para a transformação dessas regiões em áreas de proteção ambiental como reservas biológicas ou parques estaduais, diminuindo ao máximo a ação destrutiva humana.

Em ilhas como Monte Trigo, a fauna de serpentes foi definitivamente extinta, segundo o pesquisador. Na ilha Anchieta, onde predadores carnívoros foram introduzidos pela população nativa, algumas espécies representativas provavelmente desapareceram.

“A estabilidade da fauna e flora insulares é bastante frágil, o que aumenta a probabilidade de extinções e reforça a necessidade de políticas de conservação. Uma parte considerável dos animais incluídos na lista internacional de espécies ameaçadas de extinção consiste em espécies que só ocorrem em ilhas”, afirmou.

Fonte: Agência Fapesp

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