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»  - 11/07/08

É verão no hemisfério norte, quando as pessoas de todos os lugares pagam tributo aos 40% de massa corporal dedicada ao fino tecido muscular fazendo o que evitam fazer no resto do ano – submetendo esses músculos a um uso exaustivo, possivelmente perigoso.

Eles caminham, pedalam e correm longas distâncias, ou adotam um novo esporte aquático como kitesurf, que soa lindo no conceito, mas costuma ser muito difícil na execução. Eles podem até mesmo fazer uma corrida heróica em meio a quatro faixas de tráfego intenso, como meu marido fez num outro dia, quando o suporte de bicicletas de nosso carro quebrou e ele decidiu que tinha que recuperar minha bicicleta – já destruída - do meio da rodovia interestadual porque, segundo ele, “alguém pode se machucar.” Sim, querido, qualquer um, como você, ou a mulher rezando no acostamento da estrada.

É por isso que acredito que, quando se trata de uma demonstração racional de atividade muscular excessiva, o peixe-sapo macho teve a idéia certa. Ele pode não parecer um rei do Olimpo. Passa a maior parte de seu tempo sentado quase parado no fundo de um pântano, seu corpo como uma colher suja de pudim e grãos de café velhos, seus lábios cheios puxados para baixo numa eterna expressão de mau humor. Mas acontece que dentro da barriga desta besta gelatinosa e aparentemente cansada estão alguns dos músculos mais rápidos do mundo dos vertebrados, e os mais treinados.

Conforme Lawrence C. Rome, da Universidade da Pensilvânia, pôde aprender estudando o peixe-sapo durante muitos verões no Laboratório de Biologia Marítima – localizado logo no Cabo Cod –, o peixe pode contrair e relaxar os músculos de sua bexiga natatória a velocidades de 200 hertz, ou 200 vezes um segundo. Para perceber a rapidez de que estamos falando, considere que, lembrando dos jogos Olímpicos do próximo mês, o quadríceps de nosso mais rápido corredor humano será contraído e relaxado em ciclos de talvez 5 hertz.

Incitar o peixe-sapo é uma meta possivelmente maior que a medalha de ouro, o ego ou a sobrevivência pessoal. Ao vibrar os músculos de sua bexiga tão rapidamente, ele transforma o órgão em um instrumento, gerando uma berrante canção de acasalamento que atrai a fêmea para compartilhar seu enlameado habitat e procriar. Sem o benefício de sua distinta chamada, diz Rome, “uma fêmea teria de tropeçar nesse cara para vê-lo e perceber que ele não é uma lata de cerveja velha.”

Sobre homens e sapos - 
Para os biólogos, também, o extremo cria oportunidades. Estudando os músculos super-rápidos da bexiga do peixe-sapo, entre outros excêntricos sistemas-modelo, pesquisadores conseguiram profundas percepções sobre o poder e as possibilidades dos músculos em geral.

Eles aprenderam que em cada nível da complexa subestrutura de uma célula muscular de um indivíduo à elegante transformação de fibras musculares em bíceps, peitorais, tendões e outros favoritos de pôsteres de academias, o músculo tem muito em comum com diamantes, sais e substâncias bem ordenadas de maneira similar. Enquanto a gordura ou o tecido conector tendem a ser amorfos, ou organizados de forma negligente, “o músculo é quase cristalino em sua estrutura”, diz Rome, com seus componentes ordenadamente alinhados em paralelo ou em séries.

O músculo de seu antebraço, por exemplo, consiste de disposições paralelas de longas e finas células musculares, ou fibras, alinhadas como lápis em uma caixa. Cada fibra, por sua vez, é feita de subunidades menores, as miofibrilhas, amontoadas organizadamente umas sobre as outras como pratos em um armário. E dentro das miofibrilhas estão as partes trabalhadoras, os halterofilistas chamados sarcômeros, arrumados como uma conta em um ábaco. A natureza cristalina e entrelaçada do tecido muscular, diz Rome, “significa que você imaginar os movimentos de qualquer animal se movendo, e então ampliar mentalmente a imagem para analisar o que está acontecendo dentro do sarcômero. Isso permite que você junte todas as peças.”

A pesquisa sobre o peixe-sapo também revelou as trocas que qualquer músculo deve fazer: velocidade contra força, ou força contra tolerância. Na maioria dos peixes, a bexiga natatória age como um balão que pode ser inflado ou desinflado para emergir ou afundar conforme necessário. No peixe-sapo macho, a bexiga natatória foi designada para a música, e graças a essa nova função, o músculo pode agitar-se muito mais rapidamente que o tecido equivalente em outros peixes. Ele também se tornou comparativamente mais fraco, o que é parte da razão pela qual o peixe-sapo permanece enfiado na lama.

Rome identificou a modificação molecular que sustenta a troca. O movimento de qualquer fibra muscular, pelo que parece, é um processo de seis passos, três para contrair-se e trabalhar, e três para que a fibra retorne ao seu estado normal de descanso. A contração é uma questão de liberar cálcio de um saco de armazenamento dentro do sarcômero e permitir que ele ajude a empurrar para o lado uma pequena proteção molecular que previne os filamentos estruturais (que tecem as células musculares) de tocar uns nos outros, como gostariam. Descolada a proteção, os filamentos de actina e miosina se agarram um ao outro e essencialmente realizam pequenas ondulações de halteres em conjunto, e a fibra muscular se contrai.

Para a fase de relaxamento do ciclo, o cálcio precisa removido da proteção e devolvido para seu saco de armazenamento, e a barreira restabelecida entre pares de filamentos. O relaxamento de músculos, em outras palavras, é um processo ativo, o que explica por que pessoas mortas não podem fazê-lo. Se um músculo é contraído na morte, os filamentos actina e miosina ficarão alegremente unidos por um tempo, resultando no notório estado póstumo chamado rigor mortis.

Imagine, então, a dificuldade em acelerar todo o ciclo de seis passos, e manter todas as partes coordenadas com a precisão de um relógio, as partículas de cálcio entrando e saindo nos momentos certos, as proteções sendo repetidamente travadas e destravadas. A bexiga natatória do peixe-sapo administra esse feito com movimentos amplos e sugestivos. Todo o sistema opera de acordo com o ciclo padrão de seis partes, mas somente um décimo das unidades contráteis da célula muscular é ativo. Como resultado, os músculos podem agitar-se rapidamente, mas não com força.

As fibras super-rápidas não estão limitadas aos peixes-sapo. Conforme relatado no periódico "PLoS One" por Rome e colegas, descobriu-se que elas permitem a pássaros cantantes executar variações sonoras radicais. E ao meu marido, que pensa ter algumas células super-rápidas em seus pés: da próxima vez, tente apenas relaxar na lama e cantar uma música para sua amada!

Fonte: G1

 

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